14/07/2026 às 19h23
Por Sarah Azevedo
A capital alagoana foi palco de um importante momento de valorização do esporte inclusivo com a realização da Copa do Brasil de Futsal Down 2026. Promovido pela Confederação Brasileira de Desporto e Deficiência Intelectual (CBDI), em parceria com o Sesc Alagoas e o Instituto Amor 21, o evento aconteceu pela primeira vez fora do Sudeste, reunindo equipes de diversos estados brasileiros em uma programação marcada pela integração e pelo respeito.
Exclusiva para pessoas com síndrome de Down, a partir de 18 anos, a competição destacou o potencial e o protagonismo dos atletas, reforçando o papel do esporte como ferramenta de inclusão e desenvolvimento. Ao longo de cinco dias de disputas, entre 9 e 13 de julho, o Ginásio Tenente Madalena recebeu partidas que evidenciaram o talento e a dedicação dos participantes.
O encerramento aconteceu nesta terça-feira (14), na Unidade Sesc Poço, com uma programação especial que incluiu a cerimônia de premiação das equipes, além de apresentações da Quadrilha Junina Tia Graça e da Banda Mister Shake. Representando o Sesc Alagoas na ocasião, a gerente de Saúde, Janaína Valença, destacou a importância da parceria e do papel social da instituição. “Nós, enquanto instituição social que tem o esporte como um de seus pilares, ficamos muito felizes e honrados em receber vocês aqui, e também em ter colaborado com a realização dos jogos. Estar aqui nesta data, encerrando esse campeonato, é muito significativo para nós.”
Para Tony Cabral, responsável pelas relações institucionais do Instituto Amor 21, a iniciativa vai além do caráter esportivo. “Essa copa é mais do que os jogos, do que o esporte em si. Aqui tem protagonismo, autonomia e inclusão. Por isso, ficamos muito felizes em trazer esse evento para Maceió, porque começamos a passar para a sociedade a mensagem de que, sim, esses atletas são capazes de participar de um esporte de alto rendimento, que eles têm condições e têm eficiência. Então, tem sido fantástico.”
Mãe da atleta Maria Vitória, Marly Alves conta que a filha pratica esportes desde a infância e está no futsal há três anos. “Ela foi a primeira mulher a integrar a equipe de futsal do Instituto Amor 21 e, em 2025, chegou a viajar para São Paulo para disputar partidas. Futsal não é fácil. Tem que ter perseverança, amor e garra, mas isso a minha filha tem de sobra.”
A própria Maria Vitória também destaca os impactos da prática esportiva em sua rotina. Segundo ela, o futsal a ajudou a interagir mais com outras pessoas, a se exercitar e a construir novas amizades.
De acordo com Antônio Carlos Silva, coordenador de futsal da CBDI há dois anos, o crescimento da modalidade tem sido significativo e aponta para novas possibilidades de organização das competições. “As equipes cresceram demais, e as pessoas estão entendendo a necessidade de respeitar. Em função disso, estamos querendo criar uma nova tendência de competição, com série prata e série ouro, para organizar melhor as disputas e ampliar a inclusão, dando oportunidade para todo mundo participar.”