8 de outubro de 2020

Oito artistas alagoanos são selecionados para o Sesc Cultura ConVIDA

O projeto do Sesc Nacional fomenta a produção artística no País, durante a pandemia da Covid-19

O Sesc Cultura ConVIDA recebeu 15,8 mil inscrições de artistas no País. Desse total, 470 foram contemplados a participar do projeto. Em Alagoas, foram inscritos 210 projetos e oito artistas tiveram suas propostas aceitas para o ConVida que tem a finalidade de incentivar a produção artística em todas as vertentes e levar as apresentações para dentro das casas da plateia. O projeto foi criado em função das mudanças de comportamento social causadas pela pandemia da Covid-19.

A relevância do projeto é ainda maior porque conseguiu captar o quanto a classe artística foi atingida com o fechamento dos equipamentos culturais e a impossibilidade de apresentações presenciais. O ConVida é uma forma concreta de manter o trabalho de fomento, difusão e incentivo à produção artística nacional. As transmissões acontecem pelo canal www.youtube.com/user/SescBrasil

A arte-educadora Camila Melo fará uma live, no próximo dia 09.10, às 16h30, com o tema “Com quem falamos e porque falamos?”. Na oportunidade, Camila vai propor uma conversa no sentido de saber qual cultura queremos que as crianças consumam. Mais do que isso, qual legado está sendo deixado para as futuras gerações. A proposição de Camila promete provocar inquietações. Ela vai indagar de que maneira os fomentadores culturais está passando essa mensagem. Para ilustrar, a convidada trará um estudo de caso sobre o bairro de Jaraguá, em Maceió.

Jessé Batista é técnico de Dança pela Escola Técnica de Artes da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e graduado em Dança também na federal de Alagoas. O artista vai promover um bate-papo, no dia 14.10, sobre a importância do movimento Hip-Hop, como formação social, política e educacional para juventude a partir da experiência com o grupo QuilomBrothers Crew, grupo de Breaking da cidade de União dos Palmares (AL), atuante desde o ano de 2008.

Jamilla de Paula dos Santos Almeida, artisticamente conhecida como Milla Pasan, estará no ConVida no dia 11.11. A proposta é conversar e mediar processos artísticos e outras temáticas de artes visuais. Da periferia de Maceió para o mundo das artes, ainda adolescente, prestou serviços de mediação, sem vínculo empregatício, nas exposições de artes da Galeria do Sesc Centro. “Entendi que eu era uma autodidata nos estudos da Arte, tantos são assim. O que não me impediu de trabalhar com mediação, produção, montagem, curadoria, elaboração de projetos, cursos e palestras”, comenta.

Durante sua trajetória de trabalho e vivência transdisciplinar, Milla percebeu a necessidade de esclarecer questões relacionadas aos direitos autorais. O resultado da dissertação de mestrado, em 2019, foi o “Manual de direitos de autor para artistas visuais”, com linguagem acessível ao destinatário-artista e disponível para download gratuito, nas redes sociais de Milla. No ConVida, ela vai apresentar de forma clara, objetiva e lúdica o manual.

A fotógrafa, curadora, editora, produtora cultural e pesquisadora de fotografia, Maíra Gamarra, estará no ConVida no dia 18.11. Na oportunidade, a alagoana vai apresentar Mira Latina, um laboratório de criação que, a partir da fotografia como linguagem, busca promover ações e experiências artísticas, impulsionando novos espaços de diálogo entre criadores de diferentes países latino-americanos.

Maíra irá compartilhar a experiência de idealização, criação e desenvolvimento do projeto para o público. “Mira Latina surge como um laboratório de acompanhamento de projetos e artistas, desejando promover a visibilização, aproximação e diálogo entre fotografxs latino-americanxs, e a reflexão e tomada de consciência sobre o que significa sermos produtores de imagens na América Latina, nosso papel político e descolonizador”, explica.

Elizabeth Caldas, realizadora audiovisual, roteirista, professora e consultora de educação e mídia, participará do ConVida no dia 23.11. Ela apresentará um filme relato. Um corpo gordo, disforme, já isolado socialmente, atravessando uma pandemia. “Como uma sociedade padronizada e violentamente magra reage aos anseios de um corpo perseguido? Qual corpo merece viver? Quem define a cura? E a doença que me invisibiliza? Estéticas relacionadas ao corpo da mulher, ao corpo gordo, corpo público, desumanizado”, provoca.

Por meio de depoimentos, reportagens sobre a Covid-19 no Brasil, Elizabeth mostrará imagens de arquivo e cenas cotidianas sobre o isolamento social. O filme se propõe a provocar e reagir a opiniões públicas, decretos sociais, violências, preconceito e ódio sobre o corpo do outro.

No dia 26.11, o ConVida traz Amanda Régia Amorim Morais dos Santos, conhecida como Amanda Môa. Ela é fotógrafa, designer e realizadora audiovisual, com foco em temas urbanos, populações marginalizadas e inspirada na descolonização das artes visuais e conceitos estéticos. A abordagem de Amanda no ConVida será sobre as perspectivas e desafios da mulher negra das artes visuais no Nordeste. O debate terá participação de pesquisadoras e artistas negras, representantes de estados/eixos do nordeste brasileiro.

A participação de Ana Karênina Barbosa Gomes Magalhães, a Nina Magalhães, será também em novembro, em dia a ser confirmado. Ela é diretora-presidente na Associação Cultural Popfuzz e membro do Coletivo Animal, coletivo de animadores de Alagoas.

Nina vai utilizar o curta metragem de animação “Ovo da Serpente” como metáfora para ilustrar, de forma bem-humorada, como a ascensão de um conservadorismo político e social de extrema direita no Brasil e na América Latina pode ser associado a esta simbologia. A técnica utilizada será o Stop Motion de massa de modelar (plasticina). A expressão “Ovo da serpente” de Shakespeare a Bergman, até o ministro Celso de Mello nos dias atuais é usada para expressar tudo que, ao nascer, possa vir a ser pernicioso a coletividade, comumente utilizada para definir o nascimento de governos fascistas.

Abertura

Arte urbana negra: reflexões, descobertas e empoderamento”, com o artista visual alagoano Gleyson Pereira, A Coisa Ficou Preta, como é conhecida a sua arte, iniciou a participação dos alagoanos no ConVida. Ele fez a live, no último dia 03.10, apresentou seu processo criativo para o desenvolvimento das obras e mostrou como o lambe-lambe é um tipo de arte acessível e que pode ser explorado por qualquer pessoa.

Vale ressaltar que os pontos de vista expressos nos vídeos são de responsabilidade exclusiva de seus autores, e não representam necessariamente a opinião do Sesc.